
Delegada Michele Alves Correia alerta a comunidade que os tempos mudaramUm assalto chocou os moradores da Barra da Lagoa, dia 4, terça-feira. Criminosos roubaram um carro Ford KA vermelho, no Campeche, com o auxílio de uma moto. A quadrilha era formada por quatro capangas. Em posse do carro roubado, foram assaltar uma casa na Barra da Lagoa. Invadiram a residência de um comerciante, o amarraram e levaram dinheiro, celular, jóias, dólares. Entre os criminosos, um era sobrinho da vítima.
O filho da vítima chegou em casa, deixou a portão e a porta abertos. Os bandidos invadiram a casa sem resistência, pegando de surpresa os moradores. Os criminosos já estavam rondando a casa, esperando o momento certo de atacar. A vítima é casada, tem dois filhos e é comerciante na via principal na Barra.
O sobrinho passou as informações para o bando. Eles já eram suspeitos de outros roubos. O sobrinho também mora na Barra da Lagoa e os outros são da Tapera. O sobrinho da vítima estava em um churrasco no domingo na casa da vítima, para a surpresa da delegada da Lagoa, Michele Alves Correia, 33 anos.
Na fuga, a polícia cercou os criminosos no início da Osni Ortiga com a Avenida das Rendeiras. Houve troca de tiros, foram cinco disparos. Um criminoso morreu e outros três estão presos, sendo que um deles fugiu, mas foi capturado três dias depois. Entre eles, três são menores e um com 18 anos.
O suposto mandante do assalto é um traficante da região, que manda seus capangas assaltarem para saldarem suas dívidas com o tráfico de drogas. “Quem está envolvido com drogas ou morre ou vira traficante. A polícia já apurou todos os fatos”, diz a delegada.
A delegacia da Lagoa não pode encarcerar os assaltantes menores, eles foram encaminhados para a Delegacia do Menor e do Adolescente. O assaltante de 18 anos está preso depois de um mandado de prisão. Foi uma apreensão em flagrante por porte ilegal de arma, assalto e tentativa de homicídio contra um policial militar.
Atenção redobrada da populaçãoA delegada Michele Alves Correia explica que todos os roubos ocorridos na Bacia da Lagoa estão sob investigação, em que casos de assaltos à mão armada já são rotina. “Os moradores devem tomar mais cuidado, principalmente à noite, com bolsas e quando forem sacar dinheiro em bancos. Cuidar para fechar portas e janelas, não temos mais esse privilégio de dormir com a casa aberta. Também devemos observar estranhos no local e não dar, nem pegar carona com estranhos”, alerta.
A Polícia Civil está semanalmente em operação contra o tráfico de drogas. De janeiro até maio deste ano já foram apreendidos mais de 200 pedras de crack e mais de 200 papelotes de cocaína na Lagoa. A preocupação principal é com o tráfico feito por menores, que vêm principalmente da Tapera e do continente. Na Lagoa não tem um traficante grande, que comanda toda a região. São todos bandidos pequenos, mas que incomodam muito.
Os principais pontos de venda de drogas são no posto Texaco e na pracinha da Lagoa. São flanelinhas que pedem dinheiro e vendem drogas. “Deve ser feita uma limpeza na Lagoa. Tira um traficante de circulação e depois vêm dois no lugar. Eles escondem a droga ou a dividem em quantidade pequena e dizem que é para uso. Não adiante prender se não tem provas”, diz a delegada.
A participação da comunidade é fundamental no cerco aos criminosos, com denúncias anônimas e combate ao tráfico. Quem denuncia não precisa se envolver. Somente passando a placa e modelo do veículo usado pelos criminosos, já ajuda muito o trabalho de investigação, por isso a importância do trabalho preventivo. “Todo mundo se conhece, basta passar informações para nós para ajudar a identificar os criminosos. Qualquer pista é importante, os nossos policias já são conhecidos dos criminosos, o que dificulta as investigações. Usam moto e capacete e não há como identificar. Os moradores podem ajudar passando a placa dos veículos dos criminosos”, diz a delegada.
De janeiro até ao início de maio, formam mais de 20 presos em toda a bacia da Lagoa. Cada investigação dura em média de um a seis meses. Em sua maioria são roubos à mão armada. Os criminosos não temem nada, não querem saber se podem morrer. Na rua roubam principalmente celulares e dinheiro. Nas residências furtam eletrônicos, como câmeras digitais e notebooks. O lucro do roubo serve pagar dívidas com drogas, comprar tênis e roupas de marca.
Segundo a delegada Michele Alves Correia, falta policiamento ostensivo da PM na Lagoa. “É necessário um trabalho conjunto da PM com a Polícia Civil. A Lagoa da Conceição precisa de mais efetivo policial. Posto de polícia não é bom, já que o policial não pode sair do local. O mais importante seria mais policiais em ronda uma vez por semana, com mais efetivo para atuar no bairro. Os moradores veem a polícia na rua e se sentem mais seguros”, diz.
Outros três casos que chocaram a comunidadeO primeiro foi um assalto a um aposentado que sacava dinheiro no Banco do Brasil. Os assaltantes sabiam onde ele morava e quantas vezes ia ao banco por semana. A delegada pede para que quando o cliente for sacar dinheiro, seja sempre discreto.
Outro caso foi um tiroteio no Centrinho da Lagoa, em que um jovem levou um tiro na cabeça e está internado no hospital até o momento. O disparo foi resultado de uma disputa por ponto de venda de drogas. Pessoas inocentes poderiam ser atingidas.
No verão deste ano, um ambulante com uma Kombi, na entrada da Lagoa, vendia drogas. Com o uso do cão farejador, localizaram a droga no veículo e prenderam o traficante e usuários de drogas que estavam no local. A polícia da Lagoa possui um profissional treinado para usar o cão farejador nas buscas.