Muitas vezes e infelizmente se tornando corriqueiro, caminhando pela cidade, o pedestre encontra crianças esmolando ou adultos dormindo debaixo de marquises ou cantos escuros. A Prefeitura tem um projeto chamado Abordagem de Rua, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, sob coordenação da assistente social Irma Remor Silva. De 2005 a 2009 já foram atendidas mais de 4 mil pessoas pelo projeto.
A Abordagem de Rua é um projeto que se caracteriza como proposta de atendimento sócio educativo, com compromisso de restabelecer os vínculos familiares, comunitários e escolares de crianças, adolescentes e adultos. O projeto não trabalha com voluntários. Em Florianópolis ainda dá para contar os moradores de rua, é possível conhecê-los pelo nome, diferente de outras capitais do país. Se não existisse o projeto a situação estaria pior, segundo Irma Remor Silva.
Os objetivos são oportunizar o estabelecimento e resgate de crianças, adolescentes e adultos que fazem das ruas seu espaço de moradia e sobrevivência, criando vínculos com segmentos organizados da comunidade, como escolas, programas sociais, família, postos de saúde, centros esportivos, retorno à cidade de origem ou comunidade terapêutica, evitando a exposição aos riscos que a sociedade de consumo oferece.
O projeto surgiu em 2001. É um trabalho de convencimento, não há lei que tire as pessoas da rua. O Conselho Tutelar encaminha as crianças para a família ou algum parente responsável. Elas têm seu direito violado na rua, então são encaminhadas para programas sociais, como o Sentinela, Fazendo Arte ou para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
O Conselho Tutelar toma as medidas necessárias para tirar a criança da rua. Muitas crianças são de fora da cidade ou também são reincidentes. Elas voltam para as ruas por causa das drogas e costumam ganhar dinheiro fácil esmolando.
No caso do adulto a preponderância é a dependência química. Muitos também veem de outros estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, em busca de trabalho, sem documentação. O projeto Abordagem de Rua encaminha o atendido para internação, em mais de 200 vagas nas comunidades terapêuticas conveniadas com o município ou também promove viagens de volta para casa. O projeto também encaminha para a Casa de Apoio Social, que é um alojamento temporário. São pessoas desorientadas e confusas, muitas com transtornos psiquiátricos e idosos que se perdem.
O índice de ressocialização é baixo, em torno de 3%. Já foram encaminhados 650 dependentes e somente 50 concluíram o tratamento. Muitos ficam somente dois ou três dias e depois somem. O projeto de Abordagem de Rua é para encaminhamento e não acompanhamento. Para quem quiser voltar para casa, a Prefeitura fornece a passagem com o projeto NAFR – Núcleo de Apoio à Família Rodoviária.
Para a coordenadora do projeto, “a sociedade mantém o abandono, é fácil o morador de rua ficar na cidade”. Os usuários de drogas são encaminhados para o Caps-AD ou para tratamento em fazendas terapêuticas. “Na rua está quem quer, quem usa drogas. A dependência química é uma doença”, diz Irma Remor Silva.
A solução não depende apenas de uma política social, mas sim, resolver as desigualdades sociais como a falta de emprego, com apoio à família e suporte psicológico. A maioria depois que entra na vida da rua não consegue mais sair. Todos os dias têm gente chegando, recaindo. Muitos já participaram do projeto, mas voltam para a rua. Eles não são presos por vadiagem ou perturbação da ordem, não vale a pena apinhar os presídios com estes doentes.
São atendidas crianças, adolescentes e adultos em situação de risco nas ruas, como pedintes, trabalhadores informais, explorados sexualmente, usuários de drogas. O projeto ajuda a resgatar também crianças e adolescentes explorados por adultos em atos de mendicância, tráfico e uso de drogas.
A abordagem é diária, das 8h às 19h, de segunda à sexta-feira, e sábado das 9h às 19h. São realizados acompanhamentos individualizados, visitas domiciliares, programas e projetos, sistema educacional, serviços de saúde, comunidades terapêuticas.
A equipe técnica é formada por um coordenador, quatro assistentes sociais, quatro educadores sociais, um estagiário, um motorista, um policial militar, um motorista e um assistente administrativo. As áreas de atuação são as ruas centrais de Florianópolis e bairros alimentadores, Mercado Público, terminais urbanos, semáforos, praças e áreas de lazer.
Contato pelos telefones: 0800-643-1407 / 9957-2147 / 9957-2148 / 3251-6250 / 3224-7661. O projeto de abordagem de rua é localizado à Avenida Mauro Ramos, 1277.
Dados de abril de 2009
7 crianças e adolescentes foram atendidos e encaminhados para o Conselho Tutelar. Não há crianças morando na rua, todas têm casa, mas pelas drogas voltam para as ruas.
6 estudando e uma não.
3 usam drogas, todos tem família e um estava esmolando.
72 adultos, 47 já foram abordados, 25 casos novos.
161 abordagens, muitos já foram atendidos mais de uma vez.
21- Florianópolis
23- outros municípios
28- são de outros estados.
68-moradores de rua
4- retornaram para casa.
25- vieram até a secretaria pedir ajuda.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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