terça-feira, 2 de junho de 2009

Educação sexual, uma semente a ser plantada

A educação sexual na adolescência é um assunto que todos os pais querem falar com seus filhos, mas na maioria das vezes não sabem ao certo como fazer. Nos dias de hoje há uma “pseudo-liberdade” no mundo ocidental. A Revolução Sexual na década de 60 mexeu com os padrões da época e atualmente parece ser tudo liberado, mas não é bem assim. Os jovens assistem televisão e não se sabem definir o que é pornografia ou liberdade.
Esta é a opinião de Vanessa Gandra Dutra Martins, socióloga especializada em educação sexual, mestrada e doutoranda em educação. A especialista é crítica aos efeitos deteriorantes do monopólio da mídia, com uma propaganda que convence o adolescente a assumir um tipo de comportamento sem saber ao certo como será sua conotação junto ao seu grupo social.
Na televisão é comum entrevistas com profissionais de sexologia – ciência que debate sobre disfunções sexuais e biológicas. Como é “explicado” o padrão, o que é normal e o que não é normal, faz uma grande bagunça na cabeça dos telespectadores, “imagine na cabeça do adolescente. Parece livre na TV mas a repressão é maior. Os jovens são induzidos a um comportamento e depois não sabem lidar com suas opções”, diz a educadora sexual.
Sexualidade não é só sexo. A afetividade vai muito mais além do que sexo, que não é só genital. É preciso levar em consideração a cultura, crença, religião, a maneira que os jovens são educados pela família. O educador sexual não dá receita, diferente do sexólogo, que esquece a educação dos pais, a cultura, a escola. A sexóloga é para ajudar pessoas com disfunções psicológicas e biológicas, pessoas doentes.
No Brasil ainda há pais e mães muito jovens, até mesmo com 13 anos ou menos. Na TV há uma hiper-sexualidade, com artistas sugestionando como o telespectador deve lidar com a sua sexualidade. Assim, o silêncio também educa, a sociedade e o adulto também informam, sendo um contraponto a avalanche de informações despejadas pela mídia monopolizada. Até mesmo a escola alerta prepara o jovem sem ter quem fale sobre o assunto.
O governo se preocupa quando há uma epidemia, como a aids, ou quando o índice de natalidade está muito alto. Isso não é a causa, mas a consequência de ações sociais sem controle do Estado. A medida do governo é “apagar incêndio”, não resolve proibir namoro na escola, é hipócrita, segundo a educadora sexual.
É preciso combater a gravidez precoce. A gravidez na adolescência é inaceitável nos dias de hoje, a menina se prejudica mais por ter que cuidar do bebê. A maioria não faz ideia do que seja um bebê chorando de madrugada. Geralmente elas param de estudar e os meninos continuam, elas depois de anos voltam a estudar, quando o filho está mais crescido.
O que é estranho aqui pode não ser em outro lugar, afirma Vanessa Gandra Dutra Martins. Cada pessoa tem um projeto pessoal. É necessário observar a individualidade, tudo deve ser respeitado. Não há respeito às diferenças. “Existem profissionais preconceituosos que podem prejudicar o desenvolvimento e escolhas de cada jovem”, lembra a educadora sexual.
A opção é algo muito pessoal, o normal socialmente aceito é o heterossexual. Existe um monte de baboseiras, de justificativas para explicar porque a pessoa não é heterossexual. A mídia monopolizada faz um trabalho que menospreza as diferenças e realça os estereótipos. Em certas culturas é normal ser homossexual.
Freud explica em suas teorias que as neuroses nascem da repressão sexual. Hoje a cultura ocidental continua muito conservadora. Em outras realidades, como na Índia, ensinam a fazer sexo aos seus jovens, com pais dialogando com seus filhos. “É constrangedor, não se deve achar que educação sexual é o que aparece na TV. O ocidente é muito conservador, diferente do oriente. No oriente o sexo é como se fosse uma arte”, lembra a educadora.
A cultura ocidental é midiatilizada, reduz a relação sexual ao ato genital e com o resto cada um que se vire. “É uma escuridão, dividida em departamentos, sendo casos médicos, biológicos, psicológicos, não se vê a cultura e se tem muito preconceito”, diz a Vanessa Gandra Dutra Martins.
As crianças aprendem conceitos em determinadas idades, caso seja precoce, os valores ficam distorcidos. Na televisão parece normal, mas a realidade é que diz o que pode e o que não pode ser feito. É uma propaganda perversa, tornam bobos os homens e mulheres, naturalizam padrões, é injusto.
Ferramentas filosóficas e culturais são necessárias. A cultura é construída e nem tudo é culpa dos hormônios. “Filosofia, história e cultura. É aprender a pensar, a não reproduzir tudo que se vê. É moderno por quê? Por passar na TV? Creio que não”, afirma Vanessa.

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