A educação do futuro é um lugar onde as crianças podem aprender se divertindo, sendo um local de atividades paralelas à escola, mas ensinando de uma forma inovadora e inteligente. O objetivo é ensinar às crianças, desde pequenas, a saber diferenciar o que é ruim do que é bom, pelo olhar do trabalho, da fraternidade e igualdade.
A idealizadora desta forma de educar é Mônica Tempel, psicopedagoga, que veio de Mato Grosso para Florianópolis com o objetivo de ampliar sua forma de educar. Monica Tempel quer que creches e escolas fundamentais públicas de Florianópolis abracem sua forma de educar. Para isto acontecer, é necessário o apoio da comunidade e do poder público, já que a consagração de uma educação mais criativa será quando o projeto ser implantado nas escolas públicas. Enquanto seu projeto não está na rede pública de ensino, ela coordena a Cultura Mágica, um espaço de educação paralela no Cacupé.
A educação do futuroTodos querem que o filho saia de frente da televisão, internet ou vídeo-game para conversar mais um pouco, passear e contar histórias belas e sensíveis. Na visão de Mônica Tempel, não quer dizer que acabe o vídeo-game, mas a criança deixa por espontânea vontade os vícios modernos para poder aprender e usufruir do que verdadeiramente enobrece a alma, que é o carinho, a amizade e respeito. Assim, todo o local de estudo é uma chance da criança se descobrir e ir mais além do que é proposto por uma sociedade que, irracionalmente, pelos meios de comunicação de massa, privilegia o melhor, a competição e a banalização.
É necessário que as crianças também percebam que a escola pode ser uma segunda casa. O objetivo é ser um refúgio para que pais possam deixar seus filhos enquanto trabalham, sem se preocuparem com o que de errado poderia estar acontecendo na ausência familiar.
Para que a criança saiba distinguir o que enobrece o espírito do que é realmente irrelevante, deve estar embasada em princípios que regem a fraternidade entre as pessoas. Como uma música clássica, que para gostar basta estar perto daqueles que estudam com dedicação a música, ou uma música eletrônica, que precisa de sofisticados recursos eletrônicos para ser desenvolvida. Saber distinguir é a chave para a criança ter uma vida feliz ou infeliz, de realizações ou de frustrações, e quanto mais opções tiver na infância, mais veloz será a construção de sua imaginação, que servirá de base sensível sempre que estiver em dúvida.
Na Cultura Mágica não há a divisão entre os maiores e menores. Crianças de 5 anos convivem com crianças de 8 anos e vivem em harmonia. O mais velho cuida do mais novo e fornece regras e bem estar, enquanto os mais novos podem ter um referencial. Para isto, Monica Tempel usa a literatura.
É inviável esta educação em um mundo de competição pela sobrevivência, já que os valores humanos somente são possíveis quando todos buscam um mesmo objetivo, que é viver em harmonia e paz, com divisão de conhecimento. Assim o individualismo e egoísmo morrem e servem de fermento para que a vida em coletivo seja possível, onde todos possam dividir o mesmo espaço sem conflitos, conchavos ou trapaças. Assim, desde criança, é possível formar o cidadão pleno, consciente e autônomo.
Um contraste de uso do autoritarismo versus razão independente é quando freqüentemente controlam crianças dentro de uma sala de aula, sentadas por mais de quatro horas, seguindo um rígido calendário escolar. A proposta de Monica Tempel é que educadores tenham uma chance de estar no nível das crianças e proporcionar o desenvolvimento da criatividade com lucidez, com crianças obedecendo não pelo medo de ser reprovado, mas pelo exemplo a ser seguido. Em Florianópolis, a Cultura Mágica é o único espaço para este trabalho, onde música, teatro, arte, literatura podem estar unidos e juntando forças para dar lucidez à criança em um país que sai de um histórico de mais de 40 anos de opressão, retardamento intelectual, e falta de distribuição de renda.
Na Cultura Mágica não se faz distinção de religião, cor ou social. O que importa é construir desde cedo pessoas que estejam preparadas para saber que muito trabalho terão pela frente para mudar o passado e que novos desafios sempre serão presentes. Tanto que a união é uma força que sempre devem ter, para que o coletivo seja sempre a base de tudo. Assim, as crianças ao invés de se curvarem ou temerem ter uma vida digna, elas constroem e lutam pelos seus direitos, já que é dever da família defender os filhos, tanto em casa, quanto na sociedade, e futuramente, filhos cuidarem dos pais.
O mundo começa na imaginaçãoSegundo Mônica Tempel, um livro deve ser lido e não ser um objeto de estatus social. Deve ser sim dividido e quanto mais pessoas lerem, mais inteligente é uma nação, que somente assim sabe distinguir e conduzir com a razão quem são ou não seus governantes, amizades e relações de trabalho. O que acontece é que o papel de incentivar a leitura está invertido, ou no mínimo, estimulado, pelas crianças em casa. Hoje são as crianças que levam livros para casa para lerem junto com os pais.
Isto tem com responsabilidade pelos próprios atos e maturidade, já que após uma ditadura de 20 anos e mais 20 anos de um governo corrupto, a maior parte da riqueza está concentrada nas mãos de poucos, com uma juventude empobrecida e enfraquecida pela cultura de massa.
A literatura infantil é um bosque de aventuras e aprendizado. Os clássicos universais, como Chapeuzinho Vermelho, o mundo inteiro aprovou, ou seja, é comprovadamente bom, e é um canal de acesso aos bons valores que todos devem conhecer. Com a literatura o brincar passa a ter regras e limites, embasadas na ética e cidadania.
Em Chapeuzinho Vermelho, Chapeuzinho desobedece à mãe e acaba em apuros, daí nascem os valores de responsabilidade e laços de respeito. Vai mais além, pela arte da ilustração, as crianças começam a querer desenhar a vida de Chapeuzinho Vermelho, com pincéis, cores e papel. Com o Lobo Mau é possível aguçar a curiosidade infantil, mostrando o que é uma floresta, os animais selvagens, por meio de vídeos e outros livros. Assim, a criança vivencia a história e passa a utilizar os sentidos para suas relações pessoais, e um livro, passa a ser a nascente da criatividade infantil.
A educação moderna é um espaço que varia, e muito, as opções para o estímulo da criança. Tem brinquedos como o pula-pula, escorrega, jogos de tabuleiro, feitos especialmente para as crianças, e vídeos-game, que a mediada que a criança vai aprendendo a brincar pelo coletivo e com o que é real, vai deixando pouco a pouco a televisão e começa a brincar de teatro e casa de bonecos.
Com a literatura é possível as crianças vivenciarem a experiência do que lêem, com as ferramentas do teatro, colocando-se no papel do protagonista, ou com os brinquedos, que transformam pela imaginação as fábulas em uma pré-realidade infantil, que servirá de instrumento racional para as crianças construírem uma vida saudável, estável e igualitária. Para isto, há a utilização da literatura e os clássicos universais, que mostram um mundo de sabedoria e tradição na construção de uma criança mais justa, amorosa e sadia.